Singral Cimeiro - Campelo (Figueiró dos Vinhos) - (Latitude 40.0408) (Longitude 8.23927) Altitude 673 Mts. -

domingo, 30 de janeiro de 2011

A mobilidade no interior

São sensivelmente 21 horas e estou sentado á lareira,após ter escutado em fundo algumas das notícias debitadas por um canal de televisão e de ter observado o termómetro que tenho instalado no exterior a indicar a temperatura de 0,5 C apeteceu-me de repente começar a dissertar um pouco sobre isto e aquilo,conforme me vai aflorando à mente e em directo,sem rascunho e sem revisão.Bom afinal vou ter que fazer uma pausa neste texto para ir comer uma canjinha...logo se verá se depois a inspiração prevalece.
Regresso e pasme-se, desde o ponto final até aqui decorreu uma hora e meia,as minhas ideias ficaram mais "aquecidas" pois a canja estava soberbamente deliciosa e quente,mas vejamos, o que tinha em mente para divagar prende-se com alguns aspectos da mobilidade aqui no"interior", com frequência somos bombardeados com a contínua e escandalosa subida dos preços do combustível que alimenta os motores dos nossos carros,há pouco tempo observei a reacção de alguns entrevistados por um canal de televisão acerca desta contínua subida de preços, e algumas das coisas que ouvi limitavam-se a um encolher de ombros ou pura e simplesmente e com ar cândido dizerem que tinham que começar a utilizar mais os transportes públicos... só que estas entrevistas são feitas nas zonas urbanas densamente povoadas e até se esquecem que continuamos a insistir na velha máxima "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem..." .Meus senhores, no interior do País existem zonas em que se quisermos exercer uma actividade não temos outra alternativa para nos deslocar-mos a não ser em viatura própria !!Por exemplo se mora em Campelo e tem trabalho em Ansião tem cerca de 40 Km para percorrer e como o faz? de Metro? de Autocarro? de Eléctrico? não meus senhores assim não brinco,se quiser ir ás compras num supermercadozito (a comparar com os das grandes cidades)tem que fazer no mínimo uns 30 Km! a bicicleta recomenda-se, mas nestas redondezas com a topografia tão acidentada e as distâncias tão grandes e o frio intenso só se fosse para pagar uma promessa e mesmo assim não sei se chegaria a tempo.
Aqui não há transportes públicos meus senhores,pode-se chamar um táxi por telefone já não é nada mau,(mas não há passe social...)assim vejamos, a escassez de trabalho abunda, os salários encolhem com o frio mas os gastos com a mobilidade, esses, acompanham o ritmo das grandes cidades!Será que a solução é ir-mos todos para as cidades?e depois alimentamo-nos de quê? dos serviços?tem que haver espaço e gente no interior para se criar aquela riqueza que não é possível criar nos escritórios e nas fábricas.
Aqui na zona da Lousã já fizeram outra, deve ter sido uma estratégia obscura para promover a desertificação do interior .Existia uma linha com uma automotora que lá ia desempenhando a sua função e transportando inúmeros utentes de e para...mas alguns iluminados acharam que o melhor era estragar o que existia para substituir por um melhor...e o que aconteceu? agora não há "guito" portanto aguentem-se e vão a pé ou de bicicleta que nós por cá todos bem...mas afinal que bandalheira é esta?
Pois é já me esquecia O "TGV" é para muitos,algo de que não se pode prescindir como sinónimo de progresso,mas será mesmo?
Afinal o "TGV" que significa comboio de alta velocidade, do francês "Train Grande Vitesse" que mais valia poderá vir a dar-nos num mundo ,ou melhor, numa sociedade que anda a duas velocidades? Enquanto que a maioria da sociedade carece de reformas estruturais onde nem transportes públicos clássicos decentes ,existem ,outra parte da mesma já quer circular a velocidades que ultrapassam os 500Km/h...
Sem dúvida que tecnológicamente é um grande motivo de orgulho para os técnicos que a desenvolveram,mas nem sempre as evoluções tecnológicas vem de encontro ás reais necessidades da humanidade.Certo que a implementação deste meio de transporte irá sem dúvida criar algum impacto na forma como a sociedade irá comportar-se,um desses impactos, a meu ver, será acentuar ainda mais as assimetrias existentes no modo como as economias se estão a desenvolver ,uns depressa demais outros ainda a velocidades medievais .
A meu ver tudo o que seja progresso é sempre bem vindo, mas nunca à custa do abandono de outras reformas estruturais que tardam a surgir .
Sabe-se hoje que tudo anda mais depressa ,será realmente uma vantagem? tudo é mais rápido mas também mais efémero...ele há coisas que para se disfrutarem verdadeiramente, terá que ser a baixa velocidade,ao atravessar por exemplo uma paisagem será que a vemos da mesma maneira a 500km\h? No que toca ao particular do nosso país onde por exemplo escasseiam meios de transporte em ferrovia em inúmeras localidades do interior, e onde as populações tem dificuldade em se movimentarem que de bom irá trazer o TGV? Penso que esta sede de evolução,não está a ser devidamente equacionada tendo em conta a realidade do meio onde a querem instituir.
 Quanto ás reais vantagens pelo que atrás já referi ,penso que não justificará tão grande investimento ,porquanto se alguns poderiam chegar mais depressa teriam também que á chegada ficar á espera dos outros,ou seja só uma pequena franja da sociedade usufruirá deste bem mas que não vai ficar em sintonia com uma outra parte não menos importante o que acarretará um desperdício de recursos.
O automóvel será sempre e sem dúvida o meio de transporte preferido pela maioria, não só pela mobilidade específica que permite ,mas também pela característica de ser pessoal e individual que vem ao encontro da personalidade crescente da sociedade actual, para que o comboio e em particular o TGV se transformassem em meios de transporte preferenciais teria que haver uma grande transformação cultural a nível da sociedade,assim creio que o automóvel continuará a ser dominante ainda que possa sofrer transformações na energia que os move de modo a adaptar-se ás necessidades de proteger o meio ambiente.
Quanto a benefícios ambientais do ponto de vista energético o TGV não vem tirar ou acrescentar nada aos meios actualmente existentes ,pois move-se a electricidade tal como os outros mais lentos,talvez isso sim, seja mais prejudicial , no que concerne ao impacto nos eco sistemas que possam eventualmente atravessar,pois a alta velocidade pode criar uma espécie de estampido á sua passagem isto para não me pronunciar nas expropriações e demolições que tem que ser feitas..Esta é apenas uma modesta opinião sobre o tema da alta velocidade,até me faz lembrar o caso da internet de alta velocidade que aqui no Singral e em muitos outros locais do interior não existe, nem a instalam ...(não dá lucro) não obstante o Sr. Sócrates dizer à boca cheia que já chegou a todo o interior ...(?).      
Voltando ao TGV , em termos económicos a implantação de tal estrutura,carece de estudos muito profundos e feitos por pessoas verdadeiramente habilitadas para o efeito,note-se que vários já foram os estudos que vieram a público sobre este assunto, e todos eles discordam entre si...enfim cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas.
Bom, ao sentir um ligeiro arrepio lembrei-me de ir espreitar o termómetro e agora marca - 0,2 C  e como a chama da lareira se está a extinguir e o "João pestana" está a anunciar-se por hoje fico por aqui e vou tentar carregar as baterias,fiquem bem!




  

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