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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Agostinho da Silva e a "Partidarite"


 Não me canso de admirar a inteligência e eloquência deste Sr. e, mais uma vez, no espaço e no tempo em que sobressai a actividade dos partidos ,proponho uma reflexão:

"No partido, a intensa opinião se fragmenta e apuramos aquilo em que diferimos dos outros homens, não aquilo em que lhes somos irmãos; guiamo-nos por um ser geral que nos supera e por ele nos substituímos; vive em nós a tribo, muito mais do que a humanidade. Mas é num mundo de partidos que vivemos […]; não temos portanto outra possibilidade senão a de aceitar o jogo tal como ele se põe, exactamente como partimos de uma economia capitalista ou socialista para a economia da automação. O melhor será que não pertençamos a partido algum, porque a política não é uma essência de ser, como a religião, a ciência ou a arte, nas quais todos deveríamos estar: é uma pura fatalidade histórica, como a economia, ou a administração, como também a medicina ou a engenharia; que não pertençamos a nenhum dos partidos plurais e que não estejamos em nenhum partido único ou no seu, ou seus, contrários. A nossa acção, quanto a eles, tem de ser dupla: a de tentar que a cada momento, pelo que somos de capacidade de pensar libertos, influamos a sua liberdade, na sua largueza de entender e na sua generosidade de proceder; e a de, no momento de escolha, e no partido único a escolha é sempre abstenção, quer ela apareça ou não nos resultados oficiais, irmos por aquele que mais de acordo esteja com o que pensarmos e, sobretudo, com o que formos. Bom seria, por outro lado, que se defendesse o direito de se intervir na política, de se fazer política, sem pertencer a partido algum, criando-se condições eleitorais em que as máquinas partidárias não tivessem que entrar, nem se tivesse que pertencer ao governo para triunfar junto do povo. Uma política sem partidos, nem sequer o único, é a condição indispensável para que o Reino se instaure e para que, instaurado, seja. Acima de tudo, combatemos o que separa: e não são as opiniões individuais, mas as opiniões de grupo, o que realmente separa homem de homem; arregimentados, nos perderemos no melhor que temos: o ser irmão do mundo"

- Agostinho da Silva, “Ecúmena” [1964], in Textos e Ensaios Filosóficos II, pp. 199-200.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Estaremos perante uma nova forma de escravatura...?



Um dia destes, no auditório 3 da Fundação Gulbenkian a certa altura o orador José Mattoso disse...


..."o realismo do pensamento contemporâneo rejeita fantasias e ilusões; por isso dá-nos a exacta dimensão de um património que é testemunho das capacidades do povo português demonstradas durante mais de 500 anos".  
"Recordá-lo hoje, em plena conjuntura de uma crise financeira e económica que preocupa todos os portugueses pode, e creio que deve, servir de estímulo para congregar os esforços necessários à superação de mais este passo difícil da nossa história. Não devemos, porém, esquecer uma diferença fundamental: outrora, a superação da crise europeia fez-se, em boa parte, à custa da vida e do trabalho de milhares e milhares de escravos: hoje, só poderá conseguir-se com o esforço, a solidariedade e a inteligência de cidadãos livres e conscientes dos direitos humanos". 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Consequência

"É  impossível levar o pobre à prosperidade através
de legislações que punem os ricos pela prosperidade.
Por cada pessoa que  recebe  sem  trabalhar,  outra pessoa
deve trabalhar sem receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que tira  de outro  alguém.  
Quando metade da população entende a ideia de que
não precisa trabalhar, pois a outra metade da população  
irá  sustentá-la,  e  quando  esta  outra  metade entende
que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira  
metade,  então  chegamos  ao  começo  do  fim  de  uma nação".  


Adrian Rogers, 1931