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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma história...

Talvez porque goste de me sentir completa relativamente ao ser humano que sou, sinto um carinho muito especial por crianças, por velhos, por todos os animais, por árvores, enfim, pelos seres vivos que partilham comigo este belo planeta azul.

Nesta rota dos afectos, aconteceu-me, diversas vezes, ao longo da vida, repartir o coração com algumas crianças e animais que vagueavam por aí, sem eira nem beira, olhar amedrontado, à espera de um abraço amigo.

Tanto quanto me deu para perceber, ganhei muito mais do que o pouco que lhes dei.

A Antonieta, muitas histórias teria para vos contar sobre este assunto. Mas, hoje, porque a “novidade” a amedrontou e estarreceu, vem trazer-vos uma história muito recente e autêntica que sentiu absoluta necessidade de transmitir:

Conheço uma mãe solteira com dois filhos que, há mais de trinta anos, acompanho e que, como será de calcular, tem comido o pão que o diabo amassou para os criar. Deu-lhes um curso superior, apesar dos pesares…

Como um destes “rebentos” se perdeu, entretanto, pelas difíceis estradas da toxicodependência, recorreu a mim para que ajudasse. Lembrei-me que, melhor do que alguns euros, que logo serviriam para comprar mais umas doses, seria melhor recorrer ao saquinho do pecúlio que, sempre que me é possível, vou acrescentando com algumas peças de ouro “para o que der e vier”.

Deixando de parte, como é óbvio, alguma jóia de família, optei por um fio de ouro adquirido em Guimarães, num ourives credenciado, há cerca de dez anos, pelo qual tinha pago cerca de 20 contos (100€).

Pelo que se tem ouvido dizer, o ouro terá subido, desde então, pelo menos, duzentos por cento. Assim, quanto a mim, este fio de ouro, seria vendido por cerca de 400€, caso esta mãe o considerasse necessário para o sustento da família.

Porque precisava de sair para fazer umas compras, aproveitei a ocasião e levei comigo a referida jóia. Dirigi-me ao super-mercado da zona, comprei alguns detergentes, pão, café e leite, paguei uma conta de 52€ e, no regresso a casa, reparei que havia uma casa de grande aparato, com bem visível publicidade de compra de ouro – vidros foscos, como convém a estas coisas que preservam a intimidade do cliente, etc. etc.

Dentro, num pequeno balcão, uma “senhora” de aspecto sofisticado (como calculo que também convenha), recebeu-me muito bem, tendo referido, certamente por acaso, que percebia perfeitamente que estava perante uma pessoa de bem. Não sei como essas coisas se percebem à primeira vista... (mas, adiante!). Não me pediu identificação, não me pediu a prova de compra, nada!

Pegou na sua balancinha electrónica – foi a primeira vez na minha vida que assisti a um “ourives” usar este tipo de balança – e, depois de descobrir o “contraste”, o que fez com alguma dificuldade – disse:

- bom, vou fazer-lhe um preço especial: 49€!!!

Nem vou maçar-vos com alguns pormenores da conversa que dariam uma verdadeira anedota, se o motivo tivesse graça. Digo-vos apenas que me despedi e saí por aquela porta fora a uma velocidade inimaginável.

Hoje, a Antonieta, trouxe-vos esta história para contar, na esperança que sirva, pelo menos, para alertar alguém que tenha alguma reserva de ouro em casa.

Os tempos estão difíceis para todos. Vemos, ouvimos, lemos e não podemos ignorar que há por aí uns senhores governantes que nos andam a enganar. Não será mentira. Mas, além de necessitarmos ter muito cuidado com os os gatunos oficiais e com aqueles que nos roubam a carteira em plena avenida à luz do dia, precisamos, também, de estar muito atentos àqueles que estão a aproveitar estes tempos de penúria, usando os seus “estabelecimentos legalizados” para nos levarem o resto, isto é, aquilo que pensávamos ser a nossa segurança para os tempos piores!

Já agora, sempre vos digo, como tem chovido e há por este país fora muita ervinha, não se preocupem com a Antonieta. Por enquanto, ela há-de sobreviver (enquanto não vier a secura do verão e tiver de comprar uns fardos de palha…)

Abraços solidários

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