

A minha passagem de ano decorreu na vila piscatória da Nazaré.Nos tempos que correm eu não me teria dado ao incómodo e á despesa de me deslocar tão longe, não fosse o facto de ter ido em trabalho. Ainda assim fui com gosto, e algo espectante, pois juntar o útil ao agradável é sempre uma boa opção.Eu e a minha equipa chegámos á vila por volta da hora do almoço e a nossa missão era preparar os meios audio-visuais para o grande momento da transição 2008/2009 com fogo de artifício e tudo.Naturalmente decidimos ir de imediato almoçar, para depois com as baterias carregadas iniciar-mos o nosso trabalho. Foi aqui que teve início uma experiência que me desapontou,um dos meus colegas que nunca lá tinha estado pergunta-me," então onde é que vamos almoçar?"eu respondi-lhe que não conhecia nenhum sítio em particular ,mas que não devia ser nenhum problema porque aqui se deve comer bem em qualquer lado...e como não nos podíamos dar ao luxo de andar a passear pela vila a indagar qual seria a melhor opção decidimos rápidamente entrar no célebre e central restaurante,"Zé do Anibal"o ambiente era agradável tinha algum movimento e até tinha recinto onde se podia fumar.Sentámo-nos e após alguns minutos de expectativa lá surgiu um funcionário que muito atabalhoadamente nos largou uma ementa sobre a mesa,a casa não estava cheia, mas a postura do funcionário fazia transparecer que estaria a lidar com um ambiente de lotação esgotada...dois cigarros foram queimados enquanto esperei para fazer o pedido,a lista era muito variada e vasta e por isso perguntei se poderia pedir uma posta de salmão grelhado(a minha convicção era de que, naquele local(Nazaré) um prato de peixe seria uma boa opção)a recolha do pedido foi consumada e a nós restou-nos a espera necessária para disfrutar-mos de um almoço revigorante e agradável. O tempo foi passando...as azeitonas esgotaram,os acepipes diversos foram desaparecendo,o pão acabou e o vinho que era suposto fazer companhia ao peixe também já estava a chegar ao fim,o desespero e impaciência começou a assaltar-nos. Finalmente, e após uma hora(60 minutos) de espera sem acompanhamento por parte do funcionário,eis que me foi depositado em cima da mesa um prato com o tal salmão grelhado acompanhado com batata frita (?) o pico de fome já se tinha desvanecido, mas ainda assim de faca e garfo em punho, lancei-me decididamente sobre a dita posta e desferi-lhe o primeiro golpe verifiquei então que não tinha tido tempo de grelhar, parecia mais aquela iguaria japonesa que não sei bem como se chama mas parece que é "soushi"e não era fresco era congelado,mas do mal o menos,tentei chamar a atenção do funcionário para lhe pedir para acabar de grelhar o peixe mas rápidamente percebi que ele andava demasiado ocupado para nos aturar e assim depositei os talheres sobre o prato como se já tivesse terminado o almoço...e fiquei impávido e sereno a aguardar os próximos capítulos.Então não é que, num momento de folga o funcionário fez um "raid" na nossa mesa e ao ver a posição dos talheres pura e simplesmente nos levantou os pratos regressando rápidamente a perguntar se queríamos sobremesa...a minha resposta foi que queria só a conta!Completamente indiferente ao facto de eu não ter almoçado,trouxe-nos então a factura sem sequer inquirir se eu tinha gostado do peixe...Enfim, acabei por atravessar a praça e fui comer um cachorro quente, a uma "tasquinha" em frente, que felizmente me serviram bem e até me segredaram que o dono do "Zé do Anibal" é lá que vai comer as bifanas! Por todas estas razões o "Zé do Anibal" recomenda-se.






