Singral Cimeiro - Campelo (Figueiró dos Vinhos) - (Latitude 40.0408) (Longitude 8.23927) Altitude 673 Mts. -

sábado, 18 de janeiro de 2014

Os homens de língua Portuguesa



 "Ou os homens de língua portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escravidão em que vive quase toda a gente – escravidão de varias espécies – e a liberta para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais do que humana, ou, então, o papel dos homens de língua portuguesa vai ser muito restrito no mundo. E é capaz de aparecer alguém a tomar esse encargo. Gostaria muito que fossem os homens de língua portuguesa a terem uma mensagem que fosse válida para a Europa, porque, coitada da Europa!, não tem mais nenhuma mensagem para dar. É preciso que uma das tarefas de Portugal seja essa de fazer com que a Europa tenha alguma mensagem a dar para o futuro e se ocupe de coisas mais largas do que aquelas que primacialmente a têm ocupado"

Agostinho da Silva, in entrevista a Antónia de Sousa, Diário de Notícias, 20 de Julho dae 1986, in Dispersos, Lisboa, ICALP, 1988, pp. 134-135





O dia em que acabou a crise...

Nota do Blog: Eis o que me vai na alma ...mas não tenho o dom da escrita e não conseguiria ser tão eloquente quanto este texto.

"Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários…
Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará às nossas vidas.
Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente  e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrossel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade  dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:
Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários
Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maliáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.
Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.
Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e tenhas destruído todas as pontes de solidariedade. ENTÃO ANUNCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.
Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.
Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.
Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.”


Original de:
Concha Caballero. Es licenciada en Filología Hispánica y profesora de Literatura en un instituto público. Fue portavoz del grupo de Izquierda Unida en el Parlamento de Andalucía. Abandonó la política decepcionada con su coalición electoral. Ya hace muchos años pasó, felizmente, del ejercicio de la política a ser analista y articulista de diversos medios de comunicación. Amante de la literatura. Firmemente humana con los temas sociales.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Município de Figueiró dos Vinhos e ESAC equacionam apostar no ecoturismo para a revitalização de Aldeias

Considerando a importância e o interesse potencial que a revitalização de aldeias pode ter para Figueiró dos Vinhos, o Município e a ESAC – Escola Superior Agrária de Coimbra estão a desenvolver trabalhos para a construção de um projeto de revitalização de aldeias.
Este trabalho, assenta na ideia base de que o ecoturismo poderá ser uma via de sucesso para a recuperação da vida de aldeias, associando autarquias, instituições de ensino e entidade ligadas ao desenvolvimento, tendo como elemento central as populações residentes.
A recuperação da pastorícia, da agricultura e a aposta no turismo ativo, são opções em equação numa fase de estudo prévio das reais possibilidades de concretização do projeto.
A primeira ação concreta teve lugar no início de janeiro, com uma visita à aldeia de Vale do Rio por parte do Executivo Municipal, professores e alunos da ESAC e o Prof. Dr. António Covas, um especialista em recuperação de aldeias que proferiu uma interessante palestra sobre o tema.



Figueiró dos Vinhos, 09 de janeiro 2014



Nota do blog.    Ainda que muito remota e descaracterizada, pensamos que a aldeia do Singral poderia ser revitalizada, afinal ainda estamos numa das encostas da serra da Lousã o que nos poderia talvez incluir na família das Aldeias Serranas e já conta com mais de 500 anos de existência.
Clique aqui !

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Singral o Tertuliano

Mais uma tertúlia aqui no Singral,no passado sábado dia 4 ,fomos um grupo de onze pessoas e mais uma vez o Bacalhau na Broa fez a delícia dos presentes.
Dois dos elementos foram estreantes,e a tertúlia alongou-se na descrição de iguarias oriundas de outros lugares,o ambiente calmo e acolhedor promete a continuação,no próximo fim de semana ainda não sabemos qual a escolha da "Chef" mas certamente não vos desiludirá.





Um lampião a petróleo

Um dia destes fui descobrir este espécimen na casa de um nosso vizinho, achei digno de registo para aqueles que não conheceram estes objectos o possam admirar, actualmente o petróleo está mais caro do que a gasolina...e a proliferação da energia eléctrica destronou estes originais artefactos que se tornaram elementos de colecção.





Água com fartura

A ribeira do Singral engrossou nestes últimos dias,e a paisagem acompanhou a mudança.


Fruto do mau tempo e ventos fortes, esta velha árvore tombou e obstruiu o caminho de acesso à ribeira já se iniciaram os trabalhos de remoção da mesma o que não tem sido fácil...

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Passagem de ano no Singral

Mais uma vez um grupo de sócios e alguns amigos se uniram num grande jantar de passagem de ano na sede da Associação Casa de Convívio do Povo do Singral.
O jantar foi farto em diversidade de iguarias,que se estendeu desde alguns camarões como subtil entrada, passando por várias carnes assadas nos diversos fornos,pois ainda não temos um comunitário ,de grande capacidade...não esquecendo a sublime sopa de peixe confeccionada pela nossa artesã Herminia,doces com fartura e vinho qb, o ambiente foi-se decompondo com uma vontade frenética de dar um passo de dança,de quando em vez salpicado pelo ladrar irritante de um sócio quadrúpede...eis que a música chegou a pedido de várias famílias,irrompendo de forma máscula de um par de colunas instaladas para o efeito.
A alegria instalou-se de forma efusiva até que a meia noite chegou,dando lugar a alguns preceitos tradicionais,como por exemplo engolir uma dúzia de passas em sinal de boa ventura...creio que ninguém se tenha engasgado...quanto ao champanhe lamentavelmente ninguém se lembrou de colocar as garrafas no frigorífico...seguiram-se mais uns passos de dança até que o cansaço tomou por assalto a maioria dos presentes.
Hoje fez-se o rescaldo almoçando uma massada de peixe ,e algumas das sobras da ceia,o êxodo dos que vieram de Lisboa foi feito pelo meio da tarde e os que ficaram ainda se deliciaram ao jantar,em ambiente mais calmo onde a conversa se tornou o mote principal.